Mais uma edição do Faroeste em Caldas da Rainha

Esta é mais uma edição do Faroeste em Caldas da Rainha: Encontro de Música de Câmara Contemporânea e Improvisada CRÒNIQUES 5ET 15h30 | 29 de Outubro 2017 | Museu de José Malhoa Parque D. Carlos I | Caldas da Rainha Entrada Livre ————————–————————–———- CRÒNIQUES 5ET Albert Cirera – sax tenor e soprano Olle Vikström – sax […]

Esta é mais uma edição do Faroeste em Caldas da Rainha:

Encontro de Música de Câmara Contemporânea e Improvisada
CRÒNIQUES 5ET
15h30 | 29 de Outubro 2017 | Museu de José Malhoa
Parque D. Carlos I | Caldas da Rainha
Entrada Livre
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CRÒNIQUES 5ET
Albert Cirera – sax tenor e soprano
Olle Vikström – sax barítono
Ulrich Mitzlaff – violoncelo
Alvaro Rosso – contrabaixo
Carlos “Zíngaro” – violino
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Nestes tempos de economicismo neoliberal, é vulgar que se explique a existência de tantos duos nos domínios do jazz de “vanguarda” e da música livremente improvisada com o argumento da pauperização dos orçamentos de produtores e editoras discográficas. Mas ainda que esse factor possa ser válido, e que até determine tudo o resto, tenho para mim que os motivos que conduziram à definição de uma “arte do duo” são, sobretudo, de ordem sociomusicológica.

Esta é a fórmula que abre mais perspectivas no que respeita a uma exploração da comunicabilidade e da interacção. O “outro” do acto criativo no momento é só um, pelo que o “eu” não se dissolve nos resultados finais. Não se trata de uma questão de ego ou de preservação da identidade pessoal, mas de ir mais fundo no vai-e-vem das ideias e das reacções em contexto que ainda se define pela simplicidade relacional e pela imediata bidireccionalidade.

Museu José Malhoa, Caldas da Rainha, Gocaldas, o teu Guia Turístico Local

Para todos os efeitos, tocar a dois é o primeiro passo, talvez até o mais longo dos que se derem num percurso musical, da construção de um sentido do colectivo – um colectivo que está longe ainda de ser esmagador, subjugando a parte (a contribuição individual) ao todo.

É a dois que se estabelece o carácter social da música, é com as conexões assim providenciadas que nasce a mais elementar célula de uma sociedade, e se os parâmetros forem, de facto, os da igualdade de papéis e da liberdade expressiva, fundamentos de qualquer prática improvisacional, o que se propõe e antecipa é um outro modelo de sociedade, uma sociedade alternativa, sustentada na afinidade e no consenso.

O saxofonista Albert Cirera celebrou esta mesma arte do duo com uma série de registos disponibilizados pela netlabel Discordian Records com o título genérico de “Cròniques”. São crónicas porque surgiram como apontamentos motivados pela espuma dos dias e porque, não menos importante, tomam um carácter de narrativa – contam histórias, as histórias destes encontros entre músicos que calhou cruzarem-se nos seus respectivos caminhos e as histórias que cada um trouxe consigo e colocou em equação nos diálogos desenvolvidos.

Nos quatro tomos publicados ouvimos Cirera com quatro outros improvisadores, Olle Vikstrom, Ulrich Mitzlaff, Alvaro Rosso e Carlos “Zíngaro”, todos de nacionalidade diferente, mas os últimos três residentes, tal como o próprio Cirera, em Portugal.

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Estas são as crónicas de um catalão a viver em Lisboa, uma Lisboa antiga de idade, mas modernamente cosmopolita, que parece ter descoberto o fulgor do instante, pelo que se depreende do especial dinamismo que por cá o jazz e a improvisação estão a ter. Reunidas algumas peças desses volumes num só disco, este que faz a crónica das quatro crónicas, é um quinteto que se forma.

Chegados ao fim da audição imaginamo-los a todos no mesmo palco, ainda que os tivéssemos ouvido dois a dois, apenas com a presença permanente de Cirera, o elemento pivô. Percebemos que, entretanto, se firmaram campos de acção comuns a todos ou a alguns, equivalências de entendimento do som, da estrutura, da forma, da musicalidade, semelhantes perspectivas de si mesmo, do outro, de si no outro ou do outro em si, mas também diferenças, distâncias, discórdias. É mais do que um disco que está aqui, mas um exemplo a seguir de especial relevo e um valoroso objecto de estudo musical e sociológico.

Rui Eduardo Paes, notas do CD
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cartaz: Nayara Siler a.k.a. Animal Sentimental
org: Grémio Caldense
apoios: U. Freguesias N. Sra. Pópulo, Coto e São Gregório, Atelier Arte e ExpressãoCasa Antero

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