Maio e Junho – Exposição Hansi Stael

De 14 de Maio a 15 de Junho

14 de Maio a 15 Junho

Centro Cultural e de Congressos

“Escrever sobre a obra pictórica de Hansi Stael será como descrever um tempo na história da arte em Portugal, em que as experiências e transformações são um tempo de absorção sobre a arte e a representação artística que se fazia na restante Europa nos anos 50 do pós-guerra.

A modernidade latente na obra de Hansi Stael foi, de certa forma, uma recusa dos cânones tradicionais e das formas académicas patentes no século XIX e em alguns meios artísticos.

Na sua obra observamos a representação do corpo humano liberto, numa expressão artística que nega e que se opõe ao naturalismo cru.

A sua obra está repleta de parâmetros diversos desta época e da herança contundente dos artistas e manifestos artísticos e filosóficos entre guerras e depois delas. A geometrização das formas e a sua abstração são características da sua obra, traduzindo-se na simplificação das formas que viu e reproduziu na sua plasticidade.

Entretanto, Hansi Stael não esteve ou não conseguiu estar indiferente ao convívio, às lembranças da sua terra natal, à luz que cá encontrou, bem como às gentes e costumes desta terra portuguesa.

Uma obra, um legado…

Hansi Stael sempre praticou um exercício de liberdade na sua expressão pictórica, com um grande cromatismo ou ausência dele, sem abandonar uma qualidade estética inegável.

Na leitura da sua obra pictórica fica o registo evidente da sua observação dos ofícios tradicionais, de uma cultura popular sem ser populista e dos diversos estratos socias que encontrou em Portugal e que trouxe consigo, interiorizando-os na sua essência enquanto pessoa e artista. Os temas folclóricos e de cariz popular encontraram na sua obra uma vasta ressonância, nos costumes deste país que escolheu e que a acolheu.

O mar e as gentes que dele vivem e sobrevivem fazem parte constante do objeto da sua expressão artística, e uma profunda exploração plástica nos seus desenhos, pinturas, na sua arte em geral, sem restrições ou ligações ao regime vigente em Portugal naquela época.

A obra de Hansi Stael encontra um eco verdadeiramente moderno e cosmopolita, manifesto na sua forma criativa e plástica, um conceito, uma ideia ou até mesmo um estado de espírito na sua maneira peculiar de ver o que a rodeava e o seu verdadeiro significado.

Hansi Stael usou o seu conhecimento e técnicas diferentes e diversas na sua imagética plástica, como podemos ver patente nas obras agora disponíveis nesta exposição”. – Monika Keiroz

Onde tudo começou…

Nasceu em Budapest em 28 de Março de 1913 numa família com fortes tradições artísticas e académicas, com o nome de baptismo Ilona Hanna Emilie Lenard.

Em 1914 a família mudou-se para Trieste, tendo o seu pai, Dr. Jenö Lenard, combatido na frente na Artilharia Austro Hungara durante a guerra dos Balcãs.

Voltaram para Budapest em 1918, onde o seu pai continuou a sua carreira académica em filosofia Oriental. Os tempos eram difíceis e em 1922 a família mudou-se para Klosterneuburg nos arredores de Viena.

Em 1927, Hansi matriculou-se no Kunstgewerbeschule em Budapest, sendo a mais jovem aluna na altura, e formou-se em 1932 aos 18 anos de idade. Hansi ia aos fins de semana a Viena, onde também estudou na Universidade tendo obtido o diploma de intérprete em HúngaroAlemão-Inglês.

Entre 1932 e 1937, trabalhou na agência de viagens da família, fundada pela sua mãe em 1924, após a morte prematura de seu pai. Como guia de arte, orientou visitas a Florença e Veneza. Durante este período continuou sempre a pintar e a desenhar.

Em 1938 casou-se com um sueco, o Barão Didrik Stael von Holstein e, antes do começo da guerra, mudaram-se para a Suécia. Continuou sempre a pintar durante a guerra tendo tido localmente várias encomendas de desenhos para têxteis e joalharia, para a famosa empresa de decoração de interiores Svensk Tenn, juntamente com Joseph Frank.

Em 1946 a família mudou-se para Portugal, onde foram produzidas todas as obras que constam desta exposição.

Foi aconselhada pelo arquitecto Leonardo Castro Freire a especializar-se em cerâmica que, no mundo da arte, era a única forma de ganhar a vida em Portugal naquela altura. Apresentou-a à fábrica Viúva Lamego, e ao fim de 6 semanas fez uma exposição cujos trabalhos se venderam na totalidade, tendo logo a seguir feito nova exposição no SNI (departamento estatal para exposições). Hansi trabalhou então com João Fragoso, tendo leccionado cerâmica (olaria) e trabalhou igualmente na fábrica SantAna.

Por Caldas da Rainha…

Em 1950 Hansi começou a trabalhar na Secla, nas Caldas da Rainha, onde posteriormente passou a directora artística, promovendo inovações na produção da fábrica com a introdução de desenhos modernos. Durante este período, trabalhava duas semanas por mês na Secla e as outras duas semanas em Lisboa.

Foi um dos membros fundadores da Associação GRAVURA, tendo produzido muitas litografias, gravuras em seda e gravuras a água-forte. Continuou a fazer experiências com outros materiais e produziu frescos tradicionais para casas particulares, restaurantes e para o cinema Restelo. A isto dever-se-ão acrescentar as belas janelas da Igreja de Alter do Chão, no Alentejo, bem como alguns trabalhos na fábrica de vidro da Marinha Grande.

Até à sua morte prematura em 1961, de esclerose múltipla, continuou a trabalhar na Secla e a pintar em Lisboa pois sempre disse que “a pintura é a única coisa que interessa”. – Ilona Stael Thykier

Exposição Hansi Stael no CCC:

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